{"id":843,"date":"2010-06-16T15:45:15","date_gmt":"2010-06-16T11:45:15","guid":{"rendered":"http:\/\/psjbatista.org.br\/newsite\/?p=843"},"modified":"2010-06-16T15:45:15","modified_gmt":"2010-06-16T11:45:15","slug":"homilia-de-bento-xvi-no-encerramento-do-ano-sacerdotal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/homilia-de-bento-xvi-no-encerramento-do-ano-sacerdotal\/","title":{"rendered":"Homilia de Bento XVI no encerramento do Ano Sacerdotal"},"content":{"rendered":"<p>Queridos irm\u00e3os no minist\u00e9rio sacerdotal,<br \/>\nQueridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p>o Ano Sacerdotal que celebramos, 150 anos depois da morte do santo Cura d&#8217;Ars, modelo do minist\u00e9rio sacerdotal em nossos dias, chega ao seu fim. Nos deixamos guiar pelo Cura d&#8217;Ars para compreender de novo a grandeza e a beleza do minist\u00e9rio sacerdotal. O sacerdote n\u00e3o \u00e9 simplesmente algu\u00e9m que det\u00e9m um of\u00edcio, como aqueles de que toda a sociedade necessita, para que possam se cumprir nela certas fun\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, o sacerdote faz o que nenhum ser humano pode fazer por si mesmo: pronunciar em nome de Cristo a palavra de absolvi\u00e7\u00e3o de nossos pecados, transformando assim, a partir de Deus, a situa\u00e7\u00e3o de nossa vida. Pronuncia sobre as oferendas do p\u00e3o e do vinho as palavras de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as de Cristo, que s\u00e3o palavras de transubstancia\u00e7\u00e3o, palavras que tornam presente a Ele mesmo, o Ressuscitado, seu Corpo e seu sangue, transformando assim os elementos do mundo; s\u00e3o palavras que abrem o mundo a Deus e o unem a Ele. Portanto, o sacerd\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 um simples &#8220;of\u00edcio&#8221;, mas sim um sacramento: Deus se vale de um homem com suas limita\u00e7\u00f5es para estar, atrav\u00e9s dele, presente entre os homens e atuar em seu favor. Esta aud\u00e1cia de Deus, que se abandona nas m\u00e3os dos seres humanos; que, embora conhecendo nossas debilidades, considera aos homens capazes de atuar e apresentar-se em seu lugar, esta aud\u00e1cia de Deus \u00e9 realmente a maior grandeza que se oculta na palavra &#8220;sacerd\u00f3cio&#8221;. Que Deus nos considere capazes disso; que, por isso, chame a seu servi\u00e7o a homens e, assim, una-se a eles a partir de dentro, isso \u00e9 o que quisemos novamente considerar e compreender durante esse Ano. Quer\u00edamos despertar a alegria de que Deus esteja t\u00e3o pr\u00f3ximo a n\u00f3s, e a gratuidade pelo fato de que Ele se confie a nossa debilidade; que Ele nos guie e nos ajude dia ap\u00f3s dia. Quer\u00edamos tamb\u00e9m, assim, ensinar de novo aos jovens que esta voca\u00e7\u00e3o, esta comunh\u00e3o de servi\u00e7o por Deus e com Deus, existe; mais ainda, que Deus est\u00e1 esperando nosso &#8220;sim&#8221;. Junto com a Igreja, quisemos destacar novamente que temos que pedir a Deus esta voca\u00e7\u00e3o. Pe\u00e7amos trabalhadores para a messe de Deus, e esta ora\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9, ao mesmo tempo, um chamamento de Deus ao cora\u00e7\u00e3o dos jovens que se consideram capazes disso mesmo para o que Deus os considera capazes. Era de se esperar que ao &#8220;inimigo&#8221; n\u00e3o fosse prazeroso perceber que o sacerd\u00f3cio brilhara novamente; ele teria preferido v\u00ea-lo desaparecer, para que, ao final, Deus fosse retirado do mundo. E assim ocorreu que, precisamente neste ano de alegria pelo sacramento do sacerd\u00f3cio, vieram \u00e0 luz os pecados dos sacerdotes, sobretudo o abuso de crian\u00e7as, no qual o sacerd\u00f3cio, que leva a cabo a solicitude de Deus pelo bem do homem, converte-se no contr\u00e1rio. Tamb\u00e9m n\u00f3s pedimos perd\u00e3o insistentemente a Deus e \u00e0s pessoas afetadas, enquanto prometemos que desejamos fazer todo o poss\u00edvel para que semelhante abuso n\u00e3o volte a acontecer jamais; que na admiss\u00e3o ao minist\u00e9rio sacerdotal e na forma\u00e7\u00e3o que prepara ao mesmo faremos todo o poss\u00edvel para examinar a autenticidade da voca\u00e7\u00e3o; e que queremos acompanhar ainda mais aos sacerdotes em seu caminho, para que o Senhor os proteja e os guarde nas situa\u00e7\u00f5es dolorosas e nos perigos da vida. Se o Ano Sacerdotal tivesse sido uma glorifica\u00e7\u00e3o de nossas conquistas humanas pessoais, teria sido destru\u00eddo por esses acontecimentos. Mas, para n\u00f3s, tratava-se precisamente do contr\u00e1rio, de sentir-nos agradecidos pelo dom de Deus, um dom que se leva em &#8220;vasos de barro&#8221;, e que vez por outra, atrav\u00e9s de toda a debilidade humana, torna vis\u00edvel seu amor no mundo. Assim, consideramos o acontecido como uma tarefa de purifica\u00e7\u00e3o, uma miss\u00e3o que nos acompanha em dire\u00e7\u00e3o ao futuro e que nos faz reconhecer e amar mais ainda o grande dom de Deus. Deste modo, o dom converte-se no compromisso de responder ao valor e a humildade de Deus com nosso valor e nossa humildade. A palavra de Cristo, que entoamos como canto de entrada na liturgia de hoje, pode dizer-nos neste momento o que significa fazer-se e ser sacerdote: &#8220;Tomai meu jugo sobre v\u00f3s e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o&#8221; (Mt 11, 29).<\/p>\n<p>Celebramos a festa do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e com a liturgia lan\u00e7amos um olhar, por assim dizer, dentro do cora\u00e7\u00e3o de Jesus, que ao morrer foi transpassado pela lan\u00e7a do soldado romano. Sim, seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberto por n\u00f3s e diante de n\u00f3s; e, com isso, nos abriu o cora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus. A liturgia interpreta para n\u00f3s a linguagem do cora\u00e7\u00e3o de Jesus, que fala, sobretudo, de Deus como pastor dos homens, e assim nos manifesta o sacerd\u00f3cio de Jesus, que est\u00e1 arraigado no \u00edntimo de seu cora\u00e7\u00e3o; deste modo, nos indica o perene fundamento, assim como o crit\u00e9rio v\u00e1lido de todo o minist\u00e9rio sacerdotal, que deve estar sempre no cora\u00e7\u00e3o de Jesus e ser vivido a partir d&#8217;Ele. Gostaria de meditar hoje, sobretudo, os textos com os que a Igreja orante responde \u00e0 Palavra de Deus proclamada nas leituras. Nesses cantos, palavra e resposta se compenetram. Por um lado, est\u00e3o cheios da Palavra de Deus, mas por outro, s\u00e3o j\u00e1 ao mesmo tempo a resposta do homem a tal Palavra, resposta na qual a Palavra mesma comunica-se e entra em nossa vida. O mais importante desses textos na liturgia de hoje \u00e9 o Salmo 23 (22) &#8211; &#8220;O Senhor \u00e9 meu pastor&#8221; -, no qual o Israel orante acolhe a autorrevela\u00e7\u00e3o de Deus como pastor, fazendo disso a orienta\u00e7\u00e3o para sua pr\u00f3pria vida. &#8220;O Senhor \u00e9 meu pastor, nada me falta&#8221;. Nesse primeiro vers\u00edculo expressam-se alegria e gratuidade porque Deus est\u00e1 presente e cuida do homem. A leitura tomada do Livro de Ezequiel come\u00e7a com o mesmo tema: &#8220;Vou tomar eu pr\u00f3prio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas&#8221; (Ez 34, 11). Deus cuida pessoalmente de mim, de n\u00f3s, da humanidade. N\u00e3o me deixou sozinho, extraviado no universo e em uma sociedade ante a qual sente-se cada vez mais desorientado. Ele cuida de mim. N\u00e3o \u00e9 um Deus distante, para quem minha vida n\u00e3o conta quase nada. As religi\u00f5es do mundo, pelo que podemos perceber, souberam sempre que, em \u00faltima an\u00e1lise, somente h\u00e1 um Deus. Mas este Deus era distante. Abandonava aparentemente o mundo a outras pot\u00eancias e for\u00e7as, a outras divindades. Teria que chegar a um acordo com esses elementos. O Deus \u00fanico era bom, mas distante. N\u00e3o constitu\u00eda um perigo, mas tampouco oferecia ajuda. Portanto, n\u00e3o era necess\u00e1rio ocupar-se d&#8217;Ele. Ele n\u00e3o dominava. Estranhamente, essa ideia ressurgiu na Ilustra\u00e7\u00e3o. Aceitava-se, n\u00e3o obstante, que o mundo pressup\u00f5e um Criador. Esse Deus, no entanto, teria constru\u00eddo o mundo, para depois retirar-se dele. Agora o mundo tem um conjunto de leis pr\u00f3prias segundo as quais se desenvolve, e nas quais Deus n\u00e3o interv\u00e9m, n\u00e3o pode intervir. Deus \u00e9 somente uma origem remota. Muitos, quem sabe, tampouco desejassem que Deus se preocupasse com eles. N\u00e3o desejariam que Deus lhes incomodasse. Mas ali onde a proximidade do amor de Deus percebe-se como inc\u00f4modo, o ser humano sente-se mal. \u00c9 belo e consolador saber que h\u00e1 uma pessoa que me quer e cuida de mim. Mas \u00e9 muito mais decisivo que exista esse Deus que me conhece, me quer e se preocupa comigo. &#8220;Eu conhe\u00e7o minhas ovelhas e elas conhecem a mim&#8221; (Jo 10, 14), diz a Igreja antes do Evangelho com uma palavra do Senhor. Deus me conhece, preocupa-se comigo. Esse pensamento deveria proporcionar-nos realmente alegria. Deixemos que penetre intensamente em nosso interior. Nesse momento compreendemos tamb\u00e9m o que significa: Deus quer que n\u00f3s, como sacerdotes, em um pequeno ponto da hist\u00f3ria, compartilhemos suas preocupa\u00e7\u00f5es pelos homens. Como sacerdotes, queremos ser pessoas que, em comunh\u00e3o com seu amor pelos homens, cuidemos deles, lhes fa\u00e7amos experimentar em concreto esta aten\u00e7\u00e3o de Deus. E, pelo que se refere ao \u00e2mbito do que se lhe confia, o sacerdote, juntamente com o Senhor, deveria poder dizer: &#8220;Eu conhe\u00e7o as minhas ovelhas e elas me conhecem&#8221;. &#8220;Conhecer&#8221;, no sentido da Sagrada Escritura, nunca \u00e9 somente um saber exterior, como quando se conhece o n\u00famero telef\u00f4nico de uma pessoa. &#8220;Conhecer&#8221; significa estar interiormente pr\u00f3ximo do outro. Querer-lhe. N\u00f3s dever\u00edamos tratar de &#8220;conhecer&#8221; aos homens da parte de Deus e com vistas a Deus; dever\u00edamos tratar de caminhar com eles na via da amizade com Deus.<\/p>\n<p>Voltemos ao Salmo. Ali se diz: &#8220;Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bord\u00e3o e vosso b\u00e1culo s\u00e3o o meu amparo&#8221; (Sl 23 [22], 3s). O pastor mostra o caminho correto \u00e0queles que lhe est\u00e3o confiados. Os precede e guia. Digamos-lo de outro modo: o Senhor nos mostra como realiza-se de modo correto nosso ser homens. Ensina-nos a arte de ser pessoa. Que devo fazer para n\u00e3o arruinar-me, para n\u00e3o desperdi\u00e7ar minha vida com a falta de sentido? Com efeito, esta \u00e9 a pergunta que todo o homem deseja fazer a si mesmo e que serve para qualquer per\u00edodo da vida. Quantas trevas h\u00e1 no entorno dessa pergunta em nosso tempo! Sempre retorna \u00e0 nossa mente a palavra de Jesus, que tinha compaix\u00e3o pelo homens, porque estavam como ovelhas sem pastor. Senhor, tende piedade tamb\u00e9m de n\u00f3s. Mostra-nos o caminho. Sabemos pelo Evangelho que Ele \u00e9 o caminho. Viver com Cristo, segui-lo, isso significa encontrar o caminho correto, para que nossa vida tenha sentido e para que um dia possamos dizer: &#8220;Sim, viver foi algo bom&#8221;. O povo de Israel estava e est\u00e1 agradecido a Deus, porque mostrou nos mandamentos o caminho da vida. O grande salmo 119 (118) \u00e9 uma express\u00e3o de alegria por este fato: n\u00f3s n\u00e3o andamos tateando na obscuridade. Deus nos mostrou qual \u00e9 o caminho, como podemos caminhar de maneira correta. A vida de Jesus \u00e9 uma s\u00edntese e um modelo vivo do que afirmam os mandamentos. Assim, compreendemos que essas normas de Deus n\u00e3o s\u00e3o cadeias, mas o caminho que Ele nos indica. Podemos estar alegres por elas e porque em Cristo est\u00e3o ante n\u00f3s como uma realidade vivida. Ele mesmo nos faz felizes. Caminhando junto a Cristo temos a experi\u00eancia da alegria da Revela\u00e7\u00e3o, e como sacerdotes devemos comunicar \u00e0s pessoas a alegria de que nos tenha mostrado o caminho correto.<\/p>\n<p>Depois vem uma palavra referida ao &#8220;vale escuro&#8221;, atrav\u00e9s do qual o Senhor guia o homem. O caminho de cada um de n\u00f3s nos levar\u00e1 um dia ao vale escuro da morte, ao qual ningu\u00e9m pode nos acompanhar. E Ele estar\u00e1 ali. Cristo mesmo descendeu \u00e0 noite escura da morte. Tampouco ali nos abandona. Tamb\u00e9m ali nos guia. &#8220;Se descer \u00e0 regi\u00e3o dos mortos, l\u00e1 vos encontrareis tamb\u00e9m&#8221;, diz o Salmo 139 (138). Sim, tu est\u00e1s presente tamb\u00e9m na \u00faltima fadiga, e assim o salmo responsorial pode dizer: tamb\u00e9m ali, no vale escuro, nada temo. No entanto, falando do vale escuro, podemos pensar tamb\u00e9m nos vales escuros das tenta\u00e7\u00f5es, do desalento, da prova\u00e7\u00e3o, que toda pessoa humana deve atravessar. Tamb\u00e9m nestes vales tenebrosos da vida Ele est\u00e1 ali. Senhor, nas trevas da tenta\u00e7\u00e3o, nas horas das trevas, em que todas as luzes parecem apagar-se, mostra-me que tu est\u00e1s ali. Ajuda-nos a n\u00f3s, sacerdotes, para que possamos estar junto \u00e0s pessoas que, nessas noite escuras, nos foram confiadas, para que possamos mostrar-lhes tua luz.<\/p>\n<p>&#8220;Vosso bord\u00e3o e vosso b\u00e1culo s\u00e3o o meu amparo&#8221;: o pastor necessita do bord\u00e3o contra os animais selvagens que querem atacar o rebanho; contra os salteadores que buscam sua v\u00edtima. Junto ao bord\u00e3o est\u00e1 o b\u00e1culo, que sustenta e ajuda a atravessar os lugares dif\u00edceis. Esses dois elementos entram dentro do mist\u00e9rio da Igreja, do mist\u00e9rio do sacerdote. Tamb\u00e9m a Igreja deve usar o bord\u00e3o do pastor, o bord\u00e3o com o qual protege a f\u00e9 dos farsantes, contra as orienta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o, na realidade, desorienta\u00e7\u00f5es. Com efeito, o uso do bord\u00e3o pode ser um servi\u00e7o de amor. Hoje vemos que n\u00e3o se trata de amor, quando se toleram comportamento indignos da vida sacerdotal. Como tampouco trata-se de amor se deixa-se proliferar a heresia, a tergiversa\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o da f\u00e9, como se n\u00f3s invent\u00e1ssemos a f\u00e9 autonomamente. Como se j\u00e1 n\u00e3o fosse um dom de Deus, a p\u00e9rola preciosa que n\u00e3o deixamos que nos arranquem. Ao mesmo tempo, no entanto, o bord\u00e3o continuamente deve transformar-se em b\u00e1culo do pastor, b\u00e1culo que ajude aos homens a poder caminhar por caminhos dif\u00edceis e seguir a Cristo.<\/p>\n<p>Ao final do salmo, fala-se da mesa preparada, do perfume com que se unge a cabe\u00e7a, da ta\u00e7a que transborda, do habitar na casa do Senhor. No salmo, isso mostra sobretudo a perspectiva da alegria pela festa de estar com Deus no templo, de ser hospedado e servido pelo mesmo, de poder habitar em sua casa. Para n\u00f3s, que rezamos este salmo com Cristo e com seu Corpo que \u00e9 a Igreja, esta perspectiva de esperan\u00e7a adquiriu uma amplitude e profundidade todavia ainda maior. Vemos nessa palavras, por assim dizer, uma antecipa\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica do mist\u00e9rio da Eucaristia, na qual Deus mesmo nos convida e se nos oferece como alimento, como aquele p\u00e3o e aquele vinho maravilhoso que s\u00e3o a \u00fanica resposta \u00faltima \u00e0 fome e \u00e0 sede interior do homem. Como n\u00e3o alegrarmo-nos de estarmos convidados cada dia \u00e0 mesa de Deus e a a habitar em sua casa? Como n\u00e3o estarmos alegres por termos recebido d&#8217;Ele este mandado: &#8220;Fazei isto em mem\u00f3ria de mim&#8221;? Alegres porque Ele nos permitiu preparar a mesa de Deus para os homens, oferecer-lhes seu Corpo e seu Sangue, oferecer-lhes o dom precioso de sua pr\u00f3pria presen\u00e7a. Sim, podemos rezar juntos com todo o cora\u00e7\u00e3o as palavras do salmo: &#8220;A vossa bondade e miseric\u00f3rdia h\u00e3o de seguir-me por todos os dias de minha vida&#8221; (23 [22], 6).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, vejamos brevemente os dois cantos de comunh\u00e3o sugeridos hoje pela Igreja em sua liturgia. Antes de tudo, est\u00e1 a palavra com a qual S\u00e3o Jo\u00e3o conclui o relato da crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus: &#8220;um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lan\u00e7a e, imediatamente, saiu sangue e \u00e1gua&#8221; (Jo 19, 34). O cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 transpassado pela lan\u00e7a. Abre-se, e converte-se em uma fonte: a \u00e1gua e o sangue que manam aludem aos dois sacramentos fundamentais dos que vive a Igreja: o Batismo e a Eucaristia. Do lado transpassado do Senhor, de seu cora\u00e7\u00e3o aberto, brota a fonte viva que mana ao longo dos s\u00e9culos e edifica a Igreja. O cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e9 fonte de um novo rio de vida; neste contexto, Jo\u00e3o certamente pensou tamb\u00e9m na profecia de Ezequiel, que v\u00ea manar do novo templo um rio que proporciona fecundidade e vida (Ez 47): Jesus mesmo \u00e9 o novo templo, e seu cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e9 a fonte da qual brota um rio de vida nova, que se nos comunica no Batismo e na Eucaristia.<\/p>\n<p>A liturgia da solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, no entanto, prev\u00ea como canto de comunh\u00e3o outra palavra, semelhante a essa, extra\u00edda do evangelho de Jo\u00e3o: &#8220;Se algu\u00e9m tiver sede, venha a mim e beba. Quem cr\u00ea em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manar\u00e3o rios de \u00e1gua viva&#8221; (cf. Jo 7 ,37s). Na f\u00e9 bebemos, por assim dizer, da \u00e1gua viva da Palavra de Deus. Assim, o crente converte-se ele mesmo em uma fonte, que d\u00e1 \u00e1gua viva \u00e0 terra ressequida da hist\u00f3ria. O vemos nos santos. O vemos em Maria que, como grande mulher de f\u00e9 e de amor, converteu-se ao longo dos s\u00e9culos em fonte de f\u00e9, amor e vida. Cada crist\u00e3o e cada sacerdote deveriam transformar-se, a partir de Cristo, em fonte que comunica vida aos demais. Dever\u00edamos dar a \u00e1gua da vida a um mundo sedento. Senhor, vos damos gra\u00e7as porque nos abriu vosso cora\u00e7\u00e3o; porque em vossa morte e ressurrei\u00e7\u00e3o vos converteste em fonte de vida. Faz que sejamos pessoas vivas, vivas por tua fonte, e d\u00e1-nos ser tamb\u00e9m n\u00f3s fonte, de maneira que possamos dar \u00e1gua viva a nosso tempo. Te agradecemos a gra\u00e7a do minist\u00e9rio sacerdotal. Senhor, aben\u00e7oai-nos e aben\u00e7oai a todos os homens deste tempo que est\u00e3o sedentos e buscando. Am\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>o Ano Sacerdotal que celebramos, 150 anos depois da morte do santo Cura d&#8217;Ars, modelo do minist\u00e9rio sacerdotal em nossos dias, chega ao seu fim. <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-843","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}