{"id":4561,"date":"2015-05-14T10:59:33","date_gmt":"2015-05-14T13:59:33","guid":{"rendered":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/?p=4561"},"modified":"2015-05-14T11:13:38","modified_gmt":"2015-05-14T14:13:38","slug":"49o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psjbatista.org.br\/paroquia\/49o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais\/","title":{"rendered":"49\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Comunicar a fam\u00edlia: \u201cComunicar a fam\u00edlia: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor\u201d \u00e9 o tema da mensagem para o\u00a0 49\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. O evento ser\u00e1 celebrado no dia 17 de maio, domingo que antecede Pentecostes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>49\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>17 de Maio de 2015<\/strong><\/p>\n<p><em>Tema: \u201cComunicar a fam\u00edlia: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor\u201d<\/em><\/p>\n<p>O tema da fam\u00edlia encontra-se no centro duma profunda reflex\u00e3o eclesial e dum processo sinodal que prev\u00ea dois S\u00ednodos, um extraordin\u00e1rio \u2013 acabado de celebrar \u2013 e outro ordin\u00e1rio, convocado para o pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro. Neste contexto, considerei\u00a0 oportuno que o tema do pr\u00f3ximo Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais tivesse como ponto de refer\u00eancia a fam\u00edlia. Ali\u00e1s, a fam\u00edlia \u00e9 o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento origin\u00e1rio pode-nos ajudar quer a tornar mais aut\u00eantica e humana a comunica\u00e7\u00e3o, quer a ver a fam\u00edlia dum novo ponto de vista.<\/p>\n<p>Podemos deixar-nos inspirar pelo \u00edcone evang\u00e9lico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). \u201cQuando Isabel ouviu a sauda\u00e7\u00e3o de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Esp\u00edrito Santo. Ent\u00e3o, erguendo a voz, exclamou: \u201cBendita \u00e9s tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto do teu ventre\u201d (vv. 41-42).<\/p>\n<p>Este epis\u00f3dio mostra-nos, antes de mais nada, a comunica\u00e7\u00e3o como um di\u00e1logo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta \u00e0 sauda\u00e7\u00e3o de Maria \u00e9 dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro \u00e9, em certo sentido, o arqu\u00e9tipo e o s\u00edmbolo de qualquer outra comunica\u00e7\u00e3o, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga \u00e9 a primeira \u201cescola\u201d de comunica\u00e7\u00e3o, feita de escuta e contato corporal, onde come\u00e7amos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do cora\u00e7\u00e3o da m\u00e3e. Este encontro entre dois seres simultaneamente t\u00e3o \u00edntimos e ainda t\u00e3o alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, \u00e9 a nossa primeira experi\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o. E \u00e9 uma experi\u00eancia que nos irmana a todos, pois cada um de n\u00f3s nasceu de uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num \u201cventre\u201d, que \u00e9 a fam\u00edlia. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a fam\u00edlia \u00e9 \u201co espa\u00e7o onde se aprende a conviver na diferen\u00e7a\u201d (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferen\u00e7as de g\u00e9neros e de gera\u00e7\u00f5es, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um v\u00ednculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas rela\u00e7\u00f5es, tanto mais diversas s\u00e3o as idades e mais rico \u00e9 o nosso ambiente de vida. O v\u00ednculo est\u00e1 na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o v\u00ednculo. N\u00f3s n\u00e3o inventamos as palavras: podemos us\u00e1-las, porque as recebemos. \u00c9 em fam\u00edlia que se aprende a falar na \u201cl\u00edngua materna\u201d, ou seja, a l\u00edngua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em fam\u00edlia, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condi\u00e7\u00f5es de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da capacidade da fam\u00edlia de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, \u00e9 o paradigma de toda a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do v\u00ednculo que nos \u201cprecede\u201d faz com que a fam\u00edlia seja tamb\u00e9m o contexto onde se transmite aquela forma fundamental de comunica\u00e7\u00e3o que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Muitas vezes, ao adormecerem os filhos rec\u00e9m-nascidos, a m\u00e3e e o pai entregam-nos a Deus, para que vele por eles; e, quando se tornam um pouco maiores, p\u00f5em-se a recitar juntamente com eles ora\u00e7\u00f5es simples, recordando carinhosamente outras pessoas: os av\u00f3s, outros parentes, os doentes e atribulados, todos aqueles que mais precisam da ajuda de Deus. Assim a maioria de n\u00f3s aprendeu, em fam\u00edlia, a dimens\u00e3o religiosa da comunica\u00e7\u00e3o, que, no cristianismo, \u00e9 toda impregnada de amor, o amor de Deus que se d\u00e1 a n\u00f3s e que n\u00f3s oferecemos aos outros.<\/p>\n<p>Na fam\u00edlia, \u00e9 sobretudo a capacidade de se abra\u00e7ar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e sil\u00eancios, rir e chorar juntos, entre pessoas que n\u00e3o se escolheram e todavia s\u00e3o t\u00e3o importantes uma para a outra\u2026 \u00e9 sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que \u00e9 verdadeiramente a comunica\u00e7\u00e3o enquanto descoberta e constru\u00e7\u00e3o de proximidade. Reduzir as dist\u00e2ncias, saindo mutuamente ao encontro e acolhendo-se, \u00e9 motivo de gratid\u00e3o e alegria: da sauda\u00e7\u00e3o de Maria e do saltar de alegria do menino deriva a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Isabel, seguindo-se-lhe o bel\u00edssimo c\u00e2ntico do Magnificat, no qual Maria louva o amoroso des\u00edgnio que Deus tem sobre Ela e o seu povo. De um \u201csim\u201d pronunciado com f\u00e9, derivam consequ\u00eancias que se estendem muito para al\u00e9m de n\u00f3s mesmos e se expandem no mundo. \u201cVisitar\u201d sup\u00f5e abrir as portas, n\u00e3o encerrar-se no pr\u00f3prio apartamento, sair, ir ter com o outro. A pr\u00f3pria fam\u00edlia \u00e9 viva, se respira abrindo-se para al\u00e9m de si mesma; e as fam\u00edlias que assim procedem, podem comunicar a sua mensagem de vida e comunh\u00e3o, podem dar conforto e esperan\u00e7a \u00e0s fam\u00edlias mais feridas, e fazer crescer a pr\u00f3pria Igreja, que \u00e9 uma fam\u00edlia de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Mais do que em qualquer outro lugar, \u00e9 na fam\u00edlia que, vivendo juntos no dia-a-dia, se experimentam as limita\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexist\u00eancia e do p\u00f4r-se de acordo. N\u00e3o existe a fam\u00edlia perfeita, mas n\u00e3o \u00e9 preciso ter medo da imperfei\u00e7\u00e3o, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso \u00e9 aprender a enfrent\u00e1-los de forma construtiva. Por isso, a fam\u00edlia onde as pessoas, apesar das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e pecados, se amam, torna-se uma escola de perd\u00e3o. O perd\u00e3o \u00e9 uma din\u00e2mica de comunica\u00e7\u00e3o: uma comunica\u00e7\u00e3o que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, \u00e9 poss\u00edvel reat\u00e1-la e faz\u00ea-la crescer. Uma crian\u00e7a que aprende, em fam\u00edlia, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, ser\u00e1 um construtor de di\u00e1logo e reconcilia\u00e7\u00e3o na sociedade.<\/p>\n<p>Muito t\u00eam para nos ensinar, a prop\u00f3sito de limita\u00e7\u00f5es e comunica\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias com filhos marcados por uma ou mais defici\u00eancias. A defici\u00eancia motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tenta\u00e7\u00e3o a fechar-se; mas pode tornar-se, gra\u00e7as ao amor dos pais, dos irm\u00e3os e doutras pessoas amigas, um est\u00edmulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a par\u00f3quia, as associa\u00e7\u00f5es a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a n\u00e3o exclu\u00edrem ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, num mundo onde frequentemente se amaldi\u00e7oa, insulta, semeia disc\u00f3rdia, polui com as murmura\u00e7\u00f5es o nosso ambiente humano, a fam\u00edlia pode ser uma escola de comunica\u00e7\u00e3o feita de b\u00ean\u00e7\u00e3o. E isto, mesmo nos lugares onde parecem prevalecer como inevit\u00e1veis o \u00f3dio e a viol\u00eancia, quando as fam\u00edlias est\u00e3o separadas entre si por muros de pedras ou pelos muros mais impenetr\u00e1veis do preconceito e do ressentimento, quando parece haver boas raz\u00f5es para dizer \u201cagora basta\u201d; na realidade, aben\u00e7oar em vez de amaldi\u00e7oar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater \u00e9 a \u00fanica forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem \u00e9 sempre poss\u00edvel, para educar os filhos na fraternidade.<\/p>\n<p>Os meios mais modernos de hoje, irrenunci\u00e1veis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunica\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia e entre as fam\u00edlias. Podem-na dificultar, se se tornam uma forma de se subtrair \u00e0 escuta, de se isolar apesar da presen\u00e7a f\u00edsica, de saturar todo o momento de sil\u00eancio e de espera, ignorando que \u201co sil\u00eancio \u00e9 parte integrante da comunica\u00e7\u00e3o e, sem ele, n\u00e3o h\u00e1 palavras ricas de conte\u00fado\u201d (BENTO XVI, Mensagem do 49\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, 24\/1\/2012); e podem-na favorecer, se ajudam a narrar e compartilhar, a permanecer em contato com os de longe, a agradecer e pedir perd\u00e3o, a tornar poss\u00edvel sem cessar o encontro. Descobrindo diariamente este centro vital que \u00e9 o encontro, este \u201cin\u00edcio vivo\u201d, saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Tamb\u00e9m neste campo, os primeiros educadores s\u00e3o os pais. Mas n\u00e3o devem ser deixados sozinhos; a comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunica\u00e7\u00e3o, segundo os crit\u00e9rios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.<\/p>\n<p>Assim o desafio que hoje se nos apresenta, \u00e9 aprender de novo a narrar, n\u00e3o nos limitando a produzir e consumir informa\u00e7\u00e3o, embora esta seja a dire\u00e7\u00e3o para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrap\u00f5e as diferen\u00e7as e as vis\u00f5es diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto.<\/p>\n<p>No fim de contas, a pr\u00f3pria fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 um objeto acerca do qual se comunicam opini\u00f5es nem um terreno onde se combatem batalhas ideol\u00f3gicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma \u201ccomunidade comunicadora\u201d. Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar. Neste sentido, \u00e9 poss\u00edvel recuperar um olhar capaz de reconhecer que a fam\u00edlia continua a ser um grande recurso, e n\u00e3o apenas um problema ou uma institui\u00e7\u00e3o em crise. \u00c0s vezes os meios de comunica\u00e7\u00e3o social tendem a apresentar a fam\u00edlia como se fosse um modelo abstrato que se h\u00e1 de aceitar ou rejeitar, defender ou atacar, em vez duma realidade concreta que se h\u00e1 de viver; ou como se fosse uma ideologia de algu\u00e9m contra outro, em vez de ser o lugar onde todos aprendemos o que significa comunicar no amor recebido e dado. Ao contr\u00e1rio, narrar significa compreender que as nossas vidas est\u00e3o entrela\u00e7adas numa trama unit\u00e1ria, que as vozes s\u00e3o m\u00faltiplas e cada uma \u00e9 insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia mais bela, protagonista e n\u00e3o problema, \u00e9 aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. N\u00e3o lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paci\u00eancia e confian\u00e7a, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.<\/p>\n<p>Vaticano, 23 de Janeiro \u2013 Vig\u00edlia da Festa de S\u00e3o Francisco de Sales \u2013 de 2015.<\/p>\n<p>Papa Francisco<\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-4561-1\" width=\"640\" height=\"352\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"http:\/\/paroquiasaojoaobatista.com.br\/paroquia\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/49diamundialcs.mp4?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/paroquiasaojoaobatista.com.br\/paroquia\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/49diamundialcs.mp4\">http:\/\/paroquiasaojoaobatista.com.br\/paroquia\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/49diamundialcs.mp4<\/a><\/video><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Comunicar a fam\u00edlia: \u201cComunicar a fam\u00edlia: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor\u201d \u00e9 o tema da mensagem para o\u00a0 49\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. 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